Solimar Silva
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Professor tradicional causa dependência
 

          Alguns sabem que decidi fazer outro curso superior há alguns anos, só que desta vez, a distância. Fiz inscrição no vestibular público a distância. Fiz prova, passei e comecei o curso de Pedagogia bastante empolgada. Na verdade, não sei bem porque eu decidi fazer outro curso, acho que foi mais pelo vício mesmo. Havia acabado o meu mestrado, casado e esperava engravidar (o que aconteceu no mesmo semestre em que comecei a faculdade). Então, como a opção do doutorado parecia um futuro distante e não conseguia me imaginar sem estudar nada, nadinha, de modo mais formal, lá fui eu para essa grande aventura na área de educação.
          Como pensava no projeto de doutorado, querendo aliar leitura, formação de leitores ou mediadores de leitura e a educação a distância ou utilizando recursos digitais para aulas presenciais ou coisa assim, aproveitei para experimentar a trajetória de um curso a distância – seus benefícios e mazelas.
          Entretanto, o choque inicial foi inesquecível. No primeiro dia de tutoria, aula de didática, fui empolgada. Havia aproveitado o feriadão de Carnaval para ler todas as páginas de todas as disciplinas, feito fichamento, pesquisado na internet, elaborado questões para o debate e fui pronta conversar com a tutora e a turma. Mas, o que eu vi na primeira aula e se repetiu sempre: os frutos da educação tradicional, com árvores bastante enraizadas, impediam que os alunos pudessem estudar sozinhos Eles iam às tutorias presenciais sem sequer terem feito as leituras designadas, esperando que os tutores, supostamente detentores do saber, dessem aulas e suprissem a carência que deveria ser preenchida com sua própria habilidade básica: ler.
          Por outro lado, também vivenciei provas presenciais que privilegiavam a memória e rapidez de respostas, para maior agilidade nas correções. Portanto, respostas únicas, sem espaço para debate, criatividade nem reflexão.
          Via alunos tentando devorar quase duzentas páginas de livros sem saber o que ia “cair na prova”. Queriam tirar um dez, apesar de não terem entendido absolutamente nada, como diz Gabriel, o Pensador naquela música....
          Mas talvez o que eu tenha achado o mais triste desta experiência toda foi ouvir uma aluna da turma dizer: eu não consigo estudar sozinha, eu não entendo nada. Só entendo se tiver um professor do meu lado, me explicando tudo.
          Nem nos cursos presenciais essa deve ser para que a aprendizagem efetivamente ocorra. Como assim esperar que o professor despeje sobre nossas cabeças seus mananciais de saberes? Como achar que a mente vai estar aberta o suficiente para receber esse fluxo contínuo de conhecimento, se não a prepararmos antes?
          Quando será que o ranço da educação tradicional deixará de ser apenas balela e será, efetivamente, chutado para fora de nossas vidas?
Cada vez mais acho que deveria ter uma campanha igual aquelas de cigarro: Cuidado! Professor tradicional causa muita dependência ao seu intelecto. Então, eu lembro que o professor tradicional foi formado por outro tradicional que foi formado por outro... e assim até chegarmos aos nossos antepassados jesuítas. Não evoluímos, não. Nem eu com todo esse discurso.
Solimar Silva
Enviado por Solimar Silva em 08/08/2014
Alterado em 08/05/2020
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